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Xixi ao léu

Não, este texto não é sobre fazer xixi na rua. Mas podia ser.

Este texto é sobre não ter problemas em andar por aí com o frasquinho das análises à urina à vista (depois de devidamente cheio, pois claro).

Muita gente (eu incluída) tem pudor em mostrar o seu xixi ao mundo. Por isso, quando toca a fazer análises, o frasquinho vai devidamente enfiado num saquinho de plástico que não permite ver o interior (mas que toda a gente percebe o que lá está dentro).

O saquinho de plástico também serve para evitar fugas indesejadas (já me aconteceu!) mas, principalmente, para não se ver o conteúdo.

Há quem opte por só fazer o xixi no local. Já não bastaria o jejum e ainda vão à rasquinha para fazer xixi. Escusam de ir com o xixi atrás, dizem. Acho que estas pessoas são as mais púdicas no que a xixi diz respeito. Se bem que têm pelo menos que passar um corredor com o belo do frasco na mão, não sei se adianta muito.

Hoje vi uma pessoa com falta de pudor suficiente para se passear na rua com o seu xixi num saquinho transparente. Sim, leram bem. Na rua. Num saco transparente levado na mão. A mesma que levava as credenciais. A outra estava agarrada ao telemóvel, claro. Volto a repetir, na rua, num saco transparente levado na mão. Ah valente!

Todos fazemos xixi, todos fazemos análises (ou devíamos fazer) e ver o xixi não faz mal nenhum a ninguém. É agradável? Talvez seja para umas pessoas. E seja indiferente para outras tantas. E talvez incomode o comum mortal porque "estou a ver o xixi da outra pessoa sem ter pedido para tal" ou "estão a ver o meu xixi, esta coisa tão rara, que parece que só eu faço e nunca ninguém viu". Mas, na verdade, não tem mal nenhum. O mal está nas nossas cabeças.

Seja xixi, urina, mijo ou o raio que o parta. 

Seja como for e não deixando o primeiro parágrafo na solidão porque ele não merece, fazer um xixi na rua, ou melhor, na natureza, pode ser bastante libertador. Principalmente se estivermos à rasquinha, mesmo não indo fazer análises. Quem nunca?

E com esta me vou.


Sejam felizes, soltem as amarras e... Sonhem!

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