Desde que me lembro de existir, sempre tive medo de cães, embora nunca me tivesse mordido nenhum. Aquele medo irracional (não são todos um bocadinho assim?) que faz qualquer um temer pela vida. O caminho casa (da Avó S.)-escola nem sempre era o mais lógico, o mais curto ou o mais rápido. Era o que não tivesse cães. E, antigamente, havia cães na rua por todo o lado... A irracionalidade de ter medo de cães só porque sim e de achar que vou ser atacada, mordida e morta, só é superada por um outro medo que também me acompanha desde criança. Bem, este já não me acompanha, pelo menos não da mesma forma. No meu tempo (irra, estou mesmo a ficar velha!) era normal as crianças ficarem sozinhas em casa. E não se morria disso, o que era incrível. Ficava muitas vezes sozinha em casa enquanto a minha Avó S. ia à rua e o meu Avô M. ainda trabalhava (ou simplesmente também tinha ido algures). Não, não tinha medo de estar sozinha. O meu medo era algo maior. Qualquer coisa de fantabulástico , ao nível de...
A frase não é minha. É do Psicólogo Eduardo Sá. Diz ele que, a fórmula para a saúde mental, se a houvesse, seria ter os pés na terra e cabeça na lua. Estou em cada letra dessa frase. Sinto-a como se de um nervo meu se tratasse. O que me segura à terra é, efectivamente, ter a cabeça na lua. É, sem sombra de dúvida, deixar a mente ir a sítios onde o corpo não vai. Deixá-la ser e fazer o que quiser. Deixar-me ser e fazer o que eu quiser, sem o ser nem fazer na realidade. É bom poder fazer isso, ser e fazer coisas sem consequências. Ser e fazer coisas que na realidade dura dos dias seriam muito difíceis de acontecer, algumas até impossíveis. É bom manter o sonho como objectivo, muitas vezes ignorando propositadamente o facto de nunca ir passar disso mesmo. Isso às vezes não importa. O corpo, por vezes, só precisa de combustível para seguir viagem mesmo que nunca chegue ao destino. Sejam felizes e... Sonhem! Sonhem muito! Como dizia o poeta: "O sonho comanda a vida"