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Era tudo bem mais divertido se fôssemos músicos

Gosto de assistir a um podcast semanal de música. Nasceu na pandemia (como tantos outros) e dura até hoje (como poucos).

Podia ser hipócrita e dizer que sou fã desde o início mas, na verdade, só o descobri no final do ano passado. Mas não sou menos fã por isso.

É descontraído, leve, bué engraçado. E tem boa música e bons músicos, o que é sempre bom.

Dei por mim a pensar, esta manhã, enquanto assistia a um dos vídeos, o quão giro deve ser um encontro de músicos. De gente que sabe toda cantar ou tocar. Deve ser sempre uma festa. Basta dar a indicação de se o tom da música é em Fa ou em Mi (ou noutra nota qualquer) e, de repente, todos tocam e cantam em uníssono.

Conseguem todos acompanhar uma conversa acerca de uma canção, como está escrita, como foi musicada. Do fulano que a escreveu, do que fez a melodia, de quem fez os arranjos e porque os terá feito daquela forma.

Discutem se fariam igual, fazem uma nova versão da canção mudando um pouco a melodia. Ou fazem uma brincadeira, mudando completamente a letra.

(Re)conhecem-se uns aos outros e, quando não, conhecem alguem em comum. O não-sei-das-quantas que costuma acompanhar o fulano X.

Sim, deve ser giro.

Depois pensei que comigo é parecido. Quando malta que programa se encontra também temos um assunto em comum para falar. A diferença é que não pegamos nos PCs para fazer nada em conjunto. Cruzes, credo! Deus nos livre disso. Eu programo nisto, tu naquilo. E tu como fazes para gerir sessões? E a compatibilidade entre formatos de ecrã? Ah, usas aquela merdas pré-feitas, ok... Isso é para quem não sabe programar. Os duros fazem a sério. Fundo preto e letras brancas e às vezes verdes, como nos filmes. Pois, isso assim não é programar, é só 'arrastar caixinhas'. Eu é que programo a sério.

E continuaria a disputa entre linguagens de programação, plataformas, áreas em que se trabalha dentro do IT, se se é chefe, se não se é, se se quer vir a ser. Se se sai tarde, se se sai a horas. Se precisa viajar, se quer viajar ou se tem que viajar. Quantos dias de férias tem acumulados e há quantos anos. Se se tem tido aumentos e bons prémios e que benefícios a empresa lhe dá. Quantas ofertas de emprego recebe diariamente no LinkedIn e se lhes dá ou não resposta. Quantas vezes já mudou de empresa e se está a pensar mudar, porque conheço um gajo à procura de malta para Salesforce. Para quê, desenvolver? Ah não, caga nisso. Eu aqui tenho a minha equipa, já não estou para aturar quem mande em mim. Se está full remote ou naqueles modelos híbridos que não fazem sentido. Se, ainda assim, vai muitas vezes ao escritório. Se vai de transportes ou de carro e se tem onde o estacionar. Quanto tempo demora a chegar ao escritório e o pouco que se trabalha nesses dias. Fala-se ainda que bom bom era dedicar-nos à agricultura, arranjar um terreno e plantar coisas. Trabalho que surra o corpo mas alivia a cabeça.

Por breves instantes vemos esse cenário nas nossas cabeças e imaginamo-nos de enxada na mão. Depois cai a realidade e voltamos ao bit e ao byte.

Sim, é verdade, era bem mais divertido se fôssemos músicos.


Sejam felizes e... Sonhem! Mesmo que seja com uma horta imaginária que dura meio segundo. Aquele meio segundo necessário para fazer contas à vida e ver que, se calhar, não dava. Ou talvez desse!

Já agora, podem assistir aos episódios do podcast que vos falei nos vídeos aqui.

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