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Mensagens

Ela é que manda nas outras e eu digo "Oh Cristina, não sejas assim!..."

Brinquei muito sozinha. Não tenho irmãos e a prima mais próxima em idade só mais tarde se tornou minha amiga. As outras primas a seguir estavam longe, só brincávamos duas vezes por ano e a outra prima só apareceu 8 anos depois de mim (o que é uma seca quando se quer brincar a sério. Sim, brincar a sério exige uma idade para tal; antes disso não se sabe brincar a sério, só se brinca a brincar e isso não tem graça nenhuma). E sim, isto de ser família não significa que as pessoas estejam todas próximas e muito menos que gostem todas umas das outras (às vezes só fingem que gostam e outras tantas gostam mas, de repente, deixam de gostar). É por isso que se diz que os amigos são a família que escolhemos. A que nos calha em sorte à nascença nem sempre nos enche as medidas e temos que mandar vir de fora. Voltando ao ponto. Brinquei muito sozinha. Não tenho irmãos, as primas estavam longe (emocionalmente, em espaço ou em idade) e, por isso, grande parte do tempo era passado a brincar sozinha. P...

Mensagem publicada n°200

Pensei em dissertar sobre as amarguras da vida, a pouca sorte. A inveja das coisas dos outros. O facto dos outros terem sempre mais, melhor e mais fácil. Dos outros não terem problemas e de terem saúde e sorte 365 dias por ano. De tudo lhes correr bem, como planeado e sem dissabores. Pensei depois que tudo isso é uma ilusão. Que todos achamos isso dos outros e que nós também somos os outros na percepção deles. Que amarguras todos temos, apenas uns gostam mais de falar delas que outros. Pensei que a pouca sorte depende sempre do ponto de vista, da circunstância, do momento. Do estado de espírito. Daquilo que para cada um de nós é mais relevante. Do que mais nos importa conseguir ter ou atingir. Pensei que a inveja só existe porque na verdade não calçámos os sapatos do outro. Porque à distância tudo parece bonito e fácil, mas ao perto não é bem assim. Que nem toda a inveja é má, mesmo que nos deixe um amargo de boca. Às vezes a inveja é a gasolina para fazer andar o nosso motor, aquele q...

Penny... Penny... Penny

A minha POC (que, como já vos disse um dia, não foi diagnosticada, mas está altamente comprovada) consegue ser bastante cansativa. Obriga-me a demorar o dobro ou o triplo do tempo a fazer as coisas e dá-me cabo do juízo. Sim, eu sei, é difícil entender como raio é preciso verificar 2 e 3 vezes se está realmente fechada uma porta que se acabou de fechar. É difícil aceitar que um objecto deva estar milimetricamente alinhado em cima do móvel ou o caos está instalado naquela divisão. É difícil entender como alguém não consegue resistir à necessidade, aparentemente infundada, de fazer a coisa A ou de não fazer a coisa B. É difícil mas, por favor, mesmo que custe, aceitem e ao menos finjam que entendem. Porque não é mais fácil para quem tem que lutar diariamente com estes fantasmas. É cansativo, desesperante. Eu sei que fechei a porta e acabei de confirmar, mas a minha cabeça só descansa se verificar novamente. E voltar a verificar depois. Pode ser a porta de casa, como pode ser a do carro o...

Ponham no Facebook, no Instagram, no Tiktok ou...

Felizmente, nasci antes de existirem redes sociais e telemóveis. Sou do tempo em que as pessoas falavam umas com as outras e em que um rolo de 24 fotografias dava bem para 15 dias de férias no Algarve. Já ninguém sente a alegria (ou a desilusão) de ir buscar as fotos reveladas ao fotógrafo e encontrar umas quantas surpresas: umas tremidas, outras descentradas, algumas boas e ainda algumas tiradas sabe-se lá por quem. Não, já ninguém sabe o que isso é. Hoje em dia ninguém tem paciência para esperar por nada, quanto mais por revelação de fotos. Seguia-se o ritual de as colocar no álbum, fosse no oferecido pelo fotógrafo ou outro. Mas não sem antes escrever no verso de cada foto o local e a data de cada uma: Manta Rota, Agosto de 1992. Os álbuns ficavam religiosamente guardados num qualquer móvel, em casa. Nas gavetas ou nas prateleiras, conforme coubessem. E cabia sempre mais um. De vez em quando uma pessoa lá se lembrava (e lembra!) da sua existência e os álbuns saem do armário para que...

A ganância é uma senhora com palas nos olhos como os burros

Já toda a minha gente anda numa azáfama. O Mundo admirou-se com a escassez de tinta cor de rosa por ocasião do filme " Barbie "... Pois venham à Capital do Cavalo, todos os anos entre Julho/Agosto e Novembro, se querem ver o que é escassez de material. Ele é para pintar a frontaria, para fazer mais uma cavalariça, para dividir uma sala em 2 quartos, para construir um barracão numa horta e levianamente  chamar-lhe "casa para alugar no S. Martinho", para arranjar um telhado onde já chove há 2 São Martinhos (*)... Não há material de construção civil que resista. Nem empresa. Bem, nem trolha. Aquelas quase 2 semanitas em Novembro são a galinha dos ovos de ouro dos Goleganenses, por isso, há que preparar tudo com antecedência. São a galinha dos ovos de ouro mas calma lá! Não valem mais que uns beliches duvidosos, uma cama de casal de 1970, uma chapa de zinco em cima de 4 estacas, um chão enlameado, um autoclismo que só funciona às vezes, uma cozinha equipada com os melho...

E lá se foi o meu C2...

Gosto de carros simples. Não. Na verdade, gosto de carros básicos. Daqueles carros sem paneleirices, onde um risco ou uma mossa custam a aceitar, mas não custam muito. Como também não custou o carro. Custou o devido valor para algo que serve para nos levar de um sítio ao outro sem gastarmos as pernas e as solas dos sapatos. E sem termos que vender um rim para o conseguirmos comprar. Normalmente um carro básico é, também, um carro em segunda mão. Estimado, é certo, mas que tem só o que faz mesmo falta. Sem sensores que alertam por tudo e por nada, sem travar sozinho, sem acelerar sozinho. Sem pôr mudanças sozinho. Enfim... Sem conduzir sozinho. Porque a piada está em conduzir o carro, não em ele conduzir-nos a nós. Isso seria como ter aqueles cães que passeiam os donos. Não, obrigada. Gosto de carros de gajo, não gosto de carros de gaja. De carros brutos, mas não necessariamente grandes (se bem que, um dia, ainda vou ter uma pick-up!). Gosto de carros com alguma testosterona. De carros ...

Direito de opinião ou aquela vontade estúpida de comentar tudo porque sabemos sempre mais e melhor que o outro?

Temos sempre algo a dizer, achamos nós. As nossas pavavras sobre determinado assunto vão ser certeiras e fazer uma diferença brutal, achamos nós. Ficamos com um sentimento de satisfação estratosférico ao ver que conseguimos passar para palavras exatamente aquilo que nos vai na cabeça. E esse sentimento é exponencial, cresce quando alguém concorda connosco. Fonix , somos mesmo bons. Achamos nós. Sim, é só aquela vontade estúpida de comentar tudo porque sabemos sempre mais e melhor que o outro. Ou talvez não saibamos. Mas, da energia que colocámos no mini acesso de raiva que nos fez deitar meia dúzia de ódios e teorias cá para fora, não usámos nós metade a olhar-nos saindo de nós mesmos. E isso faz muita falta. Se saíssemos de nós mais vezes, não falávamos tanto. Talvez numa outra vida tenhamos inteligência e disponibilidade emocional para fazer isso mais vezes. Sejam felizes, pensem bem antes de abrir a boca e saiam de vós mesmos de vez em quando. Talvez comecem a abri-la menos e, por c...