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Mensagens

Dava-me jeito ter um espaço multiusos na lezíria, acho que vou mandar vir o Papa

Esbanjar dinheiro em merdas, é luxo de país rico. Portugal, não sendo de terceiro mundo, também não é um país rico. Esbanjar dinheiro num evento religioso, ainda que da religião predominante no país, abre portas a exigências (fundamentadas) das restantes religiões. Portugal é um Estado laico. Esbanjar dinheiro em palcos e noutras infraestruturas "reutilizáveis", para ficar bem numa fotografia internacional, é coisa de país que se preocupa mais com as aparências do que com a pele suja por baixo da roupa nova. Esbanjar dinheiro é isso mesmo, esbanjar. A inflação sobe horrores e a especulação em torno de uma guerra - surreal em pleno século XXI - faz subir ainda mais tudo o que já está caro. Mas vamos gastar milhões num palco. Num palco!? Terei ouvido bem?... Se é um evento religioso, a região que pague. Ou então, que se resigne ao que há, que é bem bom. Se bandas internacionais tocam num desterro na Zabujeira do Mar ou noutro em Algés (sem desprimor às localidades em si), não p...

Nunca me faltou nada, mas nunca tive tudo.

É um equilíbrio interessante: não ter demasiado, mas ter o necessário. E o necessário não é o que julgamos que nos faz falta, é o que realmente nos faz falta. É preciso limpar a cabeça de superficialidades e ir directo ao ponto. É uma questão binária: ou precisamos, ou não. Não se trata de querer. Querer é outra coisa. Trata-se de precisar. A maioria de nós, felizmente, não sabe o que é precisar, só sabe o que é querer. Quem precisa dá mais valor. Sempre quis muitas coisas e sempre tive bem mais do que precisei. Mais do que muita gente teve, menos do que outra tanta. Nunca me faltou nada, mas nunca tive tudo. Que seja sempre assim. Que nunca tenha tudo, para continuar ambicionar mais mesmo tendo já o suficiente e, na realidade, não precisando. Que nunca tenha tudo porque, na realidade, não preciso de tanto. Que nunca tenha tudo, porque no dia que alguém sente que tem tudo, deixa de ambicionar mais. Que nunca tenha tudo, mas que nunca me falte nada.

Os aperitivos oferecidos nos cafés não são para forrar o estômago, são para dar sede

"Não há almoços grátis" - conhecem este clássico? Salvo raras exceções, ninguém dá nada a ninguém. Só se cair. O que significa que a bondade, o desapego, a solidariedade e a honestidade ficaram nas barrigas da maior parte das mães. Uma pessoa não quer, mas tem que desconfiar sempre.  "Quando a esmola é grande, o pobre desconfia" - outro clássico. Os pires de tremoços, os amendois ou as batatas fritas não são cortesia do chef . Os aperitivos oferecidos nos cafés não são para forrar o estômago, são para dar sede. E quem tem sede, bebe. Fácil. Às vezes, a cavalo dado, é bom olhar o dente. Sejam felizes, desconfiem qb e... Sonhem!

Verão de S. Martinho (ou microplásticos no cu)

Está calor. Demasiado para Novembro. Como esteve também demasiado em Outubro. Algumas inteligências televisivas dizem que é o verão de S. Martinho. Não é. Em primeiro lugar, ainda não estamos no S. Martinho (e isso conta muito!). Em segundo lugar, o verão de S. Martinho foi uma nesga de bom tempo, derivada de uma boa ação, que deu tréguas a um homem à chuva, com frio, e ao próprio do Martinho que, na altura, ainda não era Santo. Verão de S. Martinho não são 20 e tal °C em Novembro; é um dia solarengo no meio dos dias (que deviam ser frios) em meados do mês. Ah e tal mas há uma explicação meteorológica para o evento. Ok, há. Para um evento, relativamente fechado no tempo; não para 2 meses de extensão do verão. Não para uma ponte cega entre o verão e o inverno. Este calor desmedido não vem só desse fenómeno, nem de boa ação nenhuma, antes pelo contrário! São as alterações climáticas, o aquecimento global, que existem única e exclusivamente porque o indivíduo Homem se esquece (ou não quer...

Às vezes gostava de ser um bocadinho menos igual a mim

Todos temos a nossas coisas. O nosso feitio. Saímos à mãe, ao pai ou a outro familiar qualquer, mas o nosso cunho pessoal está lá. Podemos ser muito parecidos com alguém mas, nunca seremos iguais. Mesmo que acostumados a capas, máscaras ou outros disfarces, todos temos um lugar, uma circunstância ou uma conjugação destas ou de outras condições em que agimos ao natural, em que somos nós mesmos, sem disfarces. Transparentes como água, para o bem e para o mal. Tipicamente isso acontece quando nos sentimos à vontade em determinada situação; um dos locais em que isso acontece é em nossa casa. Hoje em dia parece que isso acontece cada vez menos. Vivemos num mundo digital, onde metade da vida é online e, à distância, bem sabemos, podemos ser e dizer o que quisermos. Podemos ser heróis ou vítimas, conforme der mais jeito. Somos especialistas em tudo e temos sempre uma opinião a dar (normalmente, achamos nós, a opinião "certa"). Acontece cada vez menos, mas logicamente que tem de acon...

(M/F) ou a estupidificação do género

Precisa-se mecânico(a) para oficina automóvel em Freixo de Espada à Cinta. Ou Precisa-se mecânico (M/F) para oficina automóvel em Freixo de Espada à Cinta. Senão importa o género, porquê a necessidade de o indicar? Precisa-se mecânico para oficina automóvel em Freixo de Espada à Cinta. E pronto. Até se gastam menos letras. Já lá vai o tempo em que aceitar mulheres em determinadas profissões e homens noutras era "uma cena"... Também se começa a ver M/F/D... Então e o "D"?... Bem, as iniciais na verdade estão em inglês: M - male F - female D - disabled Originalmente corresponderia a uma oferta de emprego para homens, mulheres ou pessoas com deficiência que, aparentemente, não têm género. Há ainda uma outra tipologia, M/F/D/V, em que o "V" identifica veteranos de guerra, o que, na América, é por si só um estatuto. Agora, nestes tempos modernos, parece que o "D" também pode ser diverse , abrangendo assim a neutralidade de género. Uma vez mais, senão ...

Se chover, é água

A vida não é uma Gala dos Globos de Ouro. Não é um vestido sem costas, nem um salto alto. Não é uma gravata ou um colete excêntrico. A vida não é gente magra, feliz e sem problemas. Nem gente bonita, bem penteada e de discurso estudado. A vida é uma brisa que corre. Com sopros alegres, mas com muitos sopros tristes. A vida é como um roupeiro. Com roupa velha, confortável, mas também com roupa de festa, daquela que esconde as tristezas. A vida são as pessoas que a vivem. A magras, as gordas, as bonitas, as feias e as assim-assim. Nenhuma é mais importante que outra, embora, muitas vezes, pareça que sim. A vida é imperfeita. Mas perfeita na sua imperfeição. Tem altos, tem baixos e círculos de acontecimentos que parecem infinitos. Mas não são. A vida tem problemas, mas também tem soluções. A vida é um improviso. Cabe-nos escolher a roupa adequada à brisa de cada dia, a atitude perante cada problema. E, se chover, é água; que é mole e capaz de furar pedra dura, mas que também  seca e d...