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Nunca me faltou nada, mas nunca tive tudo.

É um equilíbrio interessante: não ter demasiado, mas ter o necessário.

E o necessário não é o que julgamos que nos faz falta, é o que realmente nos faz falta.

É preciso limpar a cabeça de superficialidades e ir directo ao ponto. É uma questão binária: ou precisamos, ou não. Não se trata de querer. Querer é outra coisa. Trata-se de precisar.

A maioria de nós, felizmente, não sabe o que é precisar, só sabe o que é querer.

Quem precisa dá mais valor.

Sempre quis muitas coisas e sempre tive bem mais do que precisei. Mais do que muita gente teve, menos do que outra tanta. Nunca me faltou nada, mas nunca tive tudo.

Que seja sempre assim. Que nunca tenha tudo, para continuar ambicionar mais mesmo tendo já o suficiente e, na realidade, não precisando. Que nunca tenha tudo porque, na realidade, não preciso de tanto. Que nunca tenha tudo, porque no dia que alguém sente que tem tudo, deixa de ambicionar mais. Que nunca tenha tudo, mas que nunca me falte nada.

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