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Os aperitivos oferecidos nos cafés não são para forrar o estômago, são para dar sede

"Não há almoços grátis" - conhecem este clássico? Salvo raras exceções, ninguém dá nada a ninguém. Só se cair. O que significa que a bondade, o desapego, a solidariedade e a honestidade ficaram nas barrigas da maior parte das mães. Uma pessoa não quer, mas tem que desconfiar sempre.  "Quando a esmola é grande, o pobre desconfia" - outro clássico. Os pires de tremoços, os amendois ou as batatas fritas não são cortesia do chef . Os aperitivos oferecidos nos cafés não são para forrar o estômago, são para dar sede. E quem tem sede, bebe. Fácil. Às vezes, a cavalo dado, é bom olhar o dente. Sejam felizes, desconfiem qb e... Sonhem!

Verão de S. Martinho (ou microplásticos no cu)

Está calor. Demasiado para Novembro. Como esteve também demasiado em Outubro. Algumas inteligências televisivas dizem que é o verão de S. Martinho. Não é. Em primeiro lugar, ainda não estamos no S. Martinho (e isso conta muito!). Em segundo lugar, o verão de S. Martinho foi uma nesga de bom tempo, derivada de uma boa ação, que deu tréguas a um homem à chuva, com frio, e ao próprio do Martinho que, na altura, ainda não era Santo. Verão de S. Martinho não são 20 e tal °C em Novembro; é um dia solarengo no meio dos dias (que deviam ser frios) em meados do mês. Ah e tal mas há uma explicação meteorológica para o evento. Ok, há. Para um evento, relativamente fechado no tempo; não para 2 meses de extensão do verão. Não para uma ponte cega entre o verão e o inverno. Este calor desmedido não vem só desse fenómeno, nem de boa ação nenhuma, antes pelo contrário! São as alterações climáticas, o aquecimento global, que existem única e exclusivamente porque o indivíduo Homem se esquece (ou não quer...

Às vezes gostava de ser um bocadinho menos igual a mim

Todos temos a nossas coisas. O nosso feitio. Saímos à mãe, ao pai ou a outro familiar qualquer, mas o nosso cunho pessoal está lá. Podemos ser muito parecidos com alguém mas, nunca seremos iguais. Mesmo que acostumados a capas, máscaras ou outros disfarces, todos temos um lugar, uma circunstância ou uma conjugação destas ou de outras condições em que agimos ao natural, em que somos nós mesmos, sem disfarces. Transparentes como água, para o bem e para o mal. Tipicamente isso acontece quando nos sentimos à vontade em determinada situação; um dos locais em que isso acontece é em nossa casa. Hoje em dia parece que isso acontece cada vez menos. Vivemos num mundo digital, onde metade da vida é online e, à distância, bem sabemos, podemos ser e dizer o que quisermos. Podemos ser heróis ou vítimas, conforme der mais jeito. Somos especialistas em tudo e temos sempre uma opinião a dar (normalmente, achamos nós, a opinião "certa"). Acontece cada vez menos, mas logicamente que tem de acon...

(M/F) ou a estupidificação do género

Precisa-se mecânico(a) para oficina automóvel em Freixo de Espada à Cinta. Ou Precisa-se mecânico (M/F) para oficina automóvel em Freixo de Espada à Cinta. Senão importa o género, porquê a necessidade de o indicar? Precisa-se mecânico para oficina automóvel em Freixo de Espada à Cinta. E pronto. Até se gastam menos letras. Já lá vai o tempo em que aceitar mulheres em determinadas profissões e homens noutras era "uma cena"... Também se começa a ver M/F/D... Então e o "D"?... Bem, as iniciais na verdade estão em inglês: M - male F - female D - disabled Originalmente corresponderia a uma oferta de emprego para homens, mulheres ou pessoas com deficiência que, aparentemente, não têm género. Há ainda uma outra tipologia, M/F/D/V, em que o "V" identifica veteranos de guerra, o que, na América, é por si só um estatuto. Agora, nestes tempos modernos, parece que o "D" também pode ser diverse , abrangendo assim a neutralidade de género. Uma vez mais, senão ...

Se chover, é água

A vida não é uma Gala dos Globos de Ouro. Não é um vestido sem costas, nem um salto alto. Não é uma gravata ou um colete excêntrico. A vida não é gente magra, feliz e sem problemas. Nem gente bonita, bem penteada e de discurso estudado. A vida é uma brisa que corre. Com sopros alegres, mas com muitos sopros tristes. A vida é como um roupeiro. Com roupa velha, confortável, mas também com roupa de festa, daquela que esconde as tristezas. A vida são as pessoas que a vivem. A magras, as gordas, as bonitas, as feias e as assim-assim. Nenhuma é mais importante que outra, embora, muitas vezes, pareça que sim. A vida é imperfeita. Mas perfeita na sua imperfeição. Tem altos, tem baixos e círculos de acontecimentos que parecem infinitos. Mas não são. A vida tem problemas, mas também tem soluções. A vida é um improviso. Cabe-nos escolher a roupa adequada à brisa de cada dia, a atitude perante cada problema. E, se chover, é água; que é mole e capaz de furar pedra dura, mas que também  seca e d...

Nascem, crescem e morrem sem a alegria de fazer merda e poderem rir-se disso sem ter de olhar por cima do ombro

São idolatrados... E têm súbditos (o que, nos dias que correm, me faz muuuitaaa espécie). São, aparentemente, perfeitos. Não fazem merda como nós. A roupa não tem um vinco - muito menos uma nódoa - os sapatos não magoam os pés e o penteado nunca se desmancha. Assumem cargos só porque nasceram. Não importa que não tenham competência, foram treinados toda uma vida. Príncipes e Princesas, Reis e Rainhas (uns com mais sorte que outros!), deste nosso estranho Mundo, vivem uma espécie de conto de fadas, meio novela. Nascem, crescem e morrem sem a alegria de fazer merda e poderem rir-se disso sem ter olhar por cima do ombro. Costas direitas, roupa XS (a morarquia, quando engorda, só o faz em idades muito tardias), discursos controlados (às vezes!) e sem demonstrar emoções. Trezentos mil filhos, todos de lacinhos na cabeça ou meias até ao joelho onde bate a baínha do imaculado calção azul escuro. E morrem todos "serenamente", alguns durante o sono (parece que isso é comum a todos os ...

Atirei o pau ao gato

Nunca pensei muito no que cantava, portanto, o facto de se tentar matar um gato com um pau nunca me fez espécie. Nem a mim, nem a ninguém; não venham com a ideia iluminada de querer mudar as letras destas canções populares infantis, para não influenciar negativamente as criancinhas, que isso comigo não pega. Já tive muitos gatos e nunca pensei em bater em nenhum. Mas este texto não é sobre isso. Depois de, arrisco, mais de 30 anos, olhei para a letra do clássico "Atirei o pau ao gato" com 'olhos de ver' e descobri aos 36 anos de idade que não foi "cuberru" (fosse lá isto o que fosse...), mas sim "com o berro" do malfadado gato que a D. Chica se assustou. Significa, portanto, que os gatos berram. Li agures alguém comparar isto a quando, em miúdos, cantávamos em "inglês" sem saber uma única palavra. Sim, está ao mesmo nível. A ingenuidade linguística tem sempre uma certa piada. Eram tempos mais simples. Nem as pistolas de água faziam mal a ...