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Mensagens

34. Que 2020 não contou.

Há 5 anos atrás festejei os meus 30 anos. Disse, nessa altura, que a partir daí só festejava de 5 em 5. A próxima festa seria, portanto, aos 35. Não fosse eu esquecer-me de preparar tal evento e dada a minha POC (não diagnosticada, mas altamente comprovada pela sequência de cores das molas da roupa no meu estendal, por verificar 'n' vezes se fechei os vernizes, as garrafas, as portas, e tudo o mais que enrosque ou rode e possa, nem que seja por uma ínfima hipótese, ficar mal fechado) coloquei um lembrete no meu calendário pessoal. Consequência também da minha POC, esse lembrete tinha como objectivo preparar uma série de listas para a festa, sim, há sempre montes de coisas a tratar: Convidados: Primeiro ponho 'meio mundo' na lista e, depois de a rever meia dúzia de vezes, reduzo para quem realmente deve estar presente. Bebidas: Quanto bebe cada um numa tarde de verão ? 1L? 1,5L? Quanto disto é água, sumo e cerveja? Sumo de laranja e coca-cola? Não, é pouca variedade. Jun...

Partida, largada, fugida!

 1... 2... 3! Ou qualquer outra forma de dar início a uma corrida. Foi assim o início desta semana. Toda a minha gente correu para a esplanada mais próxima, em molhada, porque, toda a gente sabe, "é na boa" e "é melhor aproveitar antes que feche outra vez" . E só não iam antes porque esses malandros do governo proibiram, senão estava tudo bem. Sim, é preciso ajudar a economia. Sim, podemos voltar, entre outros sítios, aos cafés. Mas porra, perdi alguma coisa?? O vírus já era e eu ainda não me apercebi disso? Pelo amor da santa! Podemos ir ao café, podemos ir a um restaurante, mas podemos também ter dois dedinhos de testa e não passar lá a tarde sem máscara e como se nada se passasse!! E, já agora, podemos também não agir como se o Mundo fosse acabar amanhã ou como se a outra ponta do arco íris fosse ali na esplanada. As moedas de ouro devem estar no fundo da chávena, com toda a certeza, só não se sabe ao certo de qual. (e, quem diz chávena, diz copo e garrafa també...

Ter a ousadia de ser diferente e a coragem de gostar disso!

Não é fácil ser-se diferente num Mundo onde tudo é igual. Onde as pessoas parecem feitas em formas, as músicas soam todas ao mesmo, todos cortam o cabelo da forma X, compram as calças Y e aderem à dieta Z. Todos gostam do mesmo, pensam da mesma forma e têm a mesma opinião. Ser fixe parece que é isto. É ser uma ovelha igual às outras e gostar daquela erva porque é daquela erva que as outras comem. No limite é a história de nos atirarmos a um poço porque outra pessoa diz que é bom. Isto não é mais do que uma ditadura que impomos a nós próprios... Que é bem capaz de ser pior que a original: que implica que alguém nos imponha alguma coisa. Isto é assim a modos que... estúpido, não?!? Não devemos querer ser iguais aos outros... Todos concordamos que o original é quase sempre bem melhor que a cópia. Uma coisa é sermos inspirados por alguém, outra, é virarmos fotocópia uns dos outros, cópia a papel químico ou, para os mais novos, copy-paste . Sejam a pessoa que arrisca ter cabelo castanho cur...

Ser parte de História

Afinal, é esta a sensação de viver a História que aparece nos livros. Estamos todos a ajudar a escrever uns parágrafos de um qualquer livro de História do 'futuro'. "No início de 2020 o Mundo acordava para uma pandemia originada por um novo coronavírus, COVID-19. No prazo de X anos, Y por cento da população mundial foi infetada e o virus provocou a morte a Z por cento. Foi nesta pandemia que se generalizou o uso da máscara cirúrgica para evitar contágios de doenças com semelhante meio de contágio, principalmente em espaços públicos, até então apenas a população asiática o fazia. Foi também nesta altura que o teletrabalho começou cada vez mais a ser uma realidade, deixando as pessoas de ter que se deslocar diariamente, por vezes dezenas de quilómetros, para ir trabalhar. Nunca se descobriu ao certo, mas a origem terá estado num morcego que transmitiu o vírus a um outro animal que terá depois transmitido ao ser humano. A pandemia foi dada como extinta em 202X, mas a vacinaçã...

E, de repente, tive saudades

Com a mesma ingenuidade de uma criança que, sem saber, gosta de tantas coisas simples, percebi como essas coisas simples fazem tanta diferença e, de repente, tive saudades. Do rádio-despertador que rodava as "placas" dos numeros; Das febras no tacho;  Do chilrear das rolas pela manhã; De ir ao "Bacalhau", ao Pinheiro, à Chamusca e sei lá onde mais; Dos serões à lareira a derreter chumbo para a pesca; E a empatar anzóis; Da pizza no forno de lenha feita com a massa do pão; De ir à pesca; Dos jogos de futebol ao serão; E do espelho para ver a TV ao longe; Da revista do "Correio da Manhã"; Do som da máquina de costura; Da TV velha que tive direito a ter no quarto; Da mesinha de apoio com tampo em acrílico; Do Rambóia; Do copo de água morna do esquentador, no inverno; Da cor e do cheiro dos dias chuva; De ver passar a ferro a ouvir telefonia; Das uvas; Dos gatos da vizinha que me roubavam os brinquedos; Das barracas; Das lojas; Das couves cruas; Do cheiro da c...

Cabeça de acho chocho ou não me venham com merdas

Tenho que aprender a escrever quando as ideias me vêm à cabeça. Ou, pelo menos, a tirar notas. Senão acabo como agora, tinha um tema "daqueles" prontinho a ser descascado e agora só resta um vazio que até faz eco. A minha cabeça já não é o que era. Enfim... [E eis que quando achei que estava tudo perdido... o eco trouxe alguma coisa de jeito]  Não me venham com merdas. Morre alguém e 'bora lá escrever no mural do Facebook da pessoa. "Não, não é para os outros verem. É a minha forma de partilhar a tristeza e de mostrar à pessoa o quanto gostava dela e a falta que ela me faz". Então porque não envias mensagem privada, meu otário?! (Eu nem sabia que no céu havia net mas, pelos vistos, há!). E, pior que isto, é toda uma obrigação que nasceu com os lacinhos pretos: "Já viste, morreu o pai e não pôs luto". WTF?! Há uma mística à volta do Facebook que me transcende: primeiro, é só juízes, que acham sempre que têm a verdade e a razão  na ponta da língua. Depoi...

100 Anos de Amália

Não estava cá há 100 anos, nem há 50, mas já cá estava há 21 com discernimento suficiente para perceber que tinha morrido uma pessoa importante. Comemora-se o seu nascimento, não a sua morte. Mas, com a morte, o nascimento parece que se torna secundário. Esta senhora foi falada nos "4 cantos" do Mundo quando ainda não havia Facebook, Twitter ou Instagram. Numa altura em que ainda era difícil partilhar coisas com pessoas de uma cidade a 300Kms, quanto mais de outro continente. E o Mundo só as aceitava se fossem mesmo boas. Goste-se ou não de fado, Amália é uma figura incontornável na história do nosso país. Levou Portugal pelo Mundo fora e teve uma fama quase estratosférica. Eu gosto de fado e gosto de Amália. E acho que todos devíamos ter orgulho nela. Sejam felizes, experimentem ouvir fado e... Sonhem!