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Coração ao pé da boca

Há pessoas de poucas palavras e há desbocados. Há quem diga muito em poucas palavras e quem não diga nada em meia hora de discurso.

Pela boca morre o peixe. Por isso, às vezes, mais vale estar-se calado.

Há quem a tenha demasiado próxima do coração e fale demasiado sobre o que não deve com quem não deve.

Mas são coisas diferentes.

Falar do que se não deve pode ser com alguém completamente neutro no assunto e o único mal que estamos a fazer é partilhar algo que não devíamos. Mas, falarmos do que não devemos com alguém não neutro ou com a capacidade de usar essa informaçõe para o mal, é muito diferente. Pois as consequências são muito mais gravosas no segundo caso.

Temos necessidade de falar, de partilhar determinada informação com alguém, de desabafar. É justo. Não é fácil ser-se o único guardião de determinadas informações. Escolher alguém neutro para nos ouvir é o melhor de dois mundos: vamos ficar mais leves e isso não vai ter consequências para ninguém.

Por vezes a necessidade é diferente. Não é a do desabafo, é a da cusquice. É a do querer parecer bem ou integrar-se. E damos por nós a falar do que não devemos com quem não devemos. Ficamos felizes porque quebrámos uma barreira, fizemos conversa, interagimos com determinada pessoa a quem, por alguma razão (parva, na maioria das vezes), damos demasiada importância. Tanta, que traimos a confiança de alguém provavelmente muito mais relevante na nossa vida.

Mas nem sempre falamos só dos outros, muitas vezes também nos traímos a nós próprios. Somos demasiado boas pessoas quando comparadas com alguns ouvintes. E a necessidade de desabafar, partilhar, faz-nos falar demais (quem nunca?).

É o que dá ter o coração ao pé da boca. Ou, por vezes, é o que dá não avaliar bem aquilo em que nos estamos a meter.


Sejam felizes, sonhem e... Pensem que antes o coração que os intestinos.

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